Afinal, é o que é, e sempre será.

Ano passado lancei ao (m)ar mais um trabalho. O filme Romaria e tradição; fruto de uma aventura muito intensa, profunda, física.

Este projeto foi uma sequência de desafios, do começo ao fim. Os caminhos desse trabalho deixaram marcas em mim e como todos, como cada um, é sempre uma estrada tortuosa, que é boa de caminhar justo pela “in-reteza”.

Quase no fim deste caminho, o filme já pronto, definiu-se o nome: Romaria e tradição.

Eu pensei tanto nesse nome. Pensei tanto até chegar nele. E quando cheguei e foi então hora de contar a todos que o filme estava pronto, que eu precisei repensar e perguntar: o que é a tradição?

E foi nessa pensação que surgiu um pouco na brincadeira (que é sempre caminho bom) a idéia de convidar a todos para a festa chamando os amigos para fazer o convite, a decoração e dizer o que é a tradição.

Explico pra quem não viu ou não soube: o filme retrata a história da família Moraes, em uma pequena localidade rural, Góes Artigas, organizando uma grande festa, uma Romaria tradicional para São Gonçalo e São João.

E a imagem de capa do filme é uma bandeirinha que é usada na festa. Especial, feita com apreço e técnica, coração e arte, pra enfeitar o dia e receber os convidados.

Aí resolvi convidar os meus, pra ver o filme pela primeira vez e fazer deste encontro uma festa, decorando a Cinemateca de Curitiba à tradicional com centenas de bandeirinhas. E botei os amigos pra cooperar no mutirão das bandeirinhas.

E logo pro primeiro (o músico Oswaldo Rios), perguntei no meio da pose da foto: o que era tradição pra você? Oswaldo que é de sorriso largo fez a foto com a bandeirinha e resolveu pensar. E mandou depois texto de poesia fina, bem penteado e pronto pra ser refrão de música. Achei tão bonito que segui perguntando.

E isso foi por 30 dias, parecia promessa. Todo dia tinha que ter lá no nosso facebook uma foto, mais uns dizeres e claro, mais umas bandeirinhas, que afinal a festa tava cada vez mais perto.

E aí a tradição fez sua mágica. Ela sempre faz e me pega de jeito. Foi tão bonito. Dia a dia foi entrando na agenda um encontro com a vida real. E do contador ao produtor musical, do músico ao motorista, dos amigos velhos aos amigos novos que vão surgindo no correr normal da vida, foi todo mundo achando graça e dizendo o que era a tal da tradição.

E o maluco é que quase todo mundo tinha a mesma marcha: uma surpresa com a pergunta, uma dúvida do que dizer e uma resposta bonita, muito clara, muito profunda, muita coerente.

Eu ia ouvindo e pensando: “Nossa, faz sentido pra todo mundo! Toda gente sabe o que dizer e diz lá do fundo… É de todos nós, a gente está com ela viva no peito!”

E foi uma boniteza sem fim. Foi me dando um prazer de fazer isso. Foi brotando uma alegria dia a dia de colocar no cotidiano essa e outras questões. Cada palavra inspiradora, cada suspiro risonho tão contente…

E aí, vieram surpresas, gente que ia mandando bandeirinhas, que ia dizendo o que achava também, que escrevia pra dizer coisas bonitas pra somar. O mutirão é forte. A festa ganha todas. E sim, sem dúvida alguma: A tradição é nossa!

Foi assim que eu cheguei no dia 13 de dezembro, estréia do filme. Com a certeza que a tradição é nossa, que a gente faz melhor junto, que a festa é nosso meio de ser mais trad, de ser mais junto, de estar mais vivo, atento e forte. E claro, a festa foi muito bonita.

O ano acabou. Outro começou e a tradição é nossa, a vida é nossa, a alegria é nossa e nossa é a responsabilidade de continuar fazendo… Cansa sim. Mas dá tanto em retorno.

É só saber olhar pra dentro, olhar pra fora e ver como quem quer somar. Resumindo: vem aí mais um ano fazendo a vida com tradição!

E apesar da conversa estar comprida, foi tão bom ouvir, que eu acho melhor colocar aqui embaixo o que o pessoal falou. Aqui vai, logo depois da foto!

No dia da festa, bandeirinhas nas mãos de todos. Foto: Susan Silva. 13/12/14 Romaria e Tradição, na Cinemateca de Curitiba.
No dia da festa, bandeirinhas nas mãos de todos. Foto: Susan Silva. 13/12/14 Romaria e Tradição, na Cinemateca de Curitiba.

Tradição é:

“Essa linha de conhecimento que a gente vem puxando no tempo pra passar adiante.” Oswaldo Rios, músico.

“O suporte para as nossas crenças!” Vivian Agnolo Madalozzo e Tiago Madolozzo, educadores musicais na Alecrim Dourado Formação Musical.

“O reconhecimento da expertise.” Luciana Falcon e Cristine Conde, costureiras e criadoras na Benvindo Valente.

“Memória”, Beatrice Takashina, empresária.

“É a coisa mais libertária que existe.” Lauro Borges, artista visual.

“As nossas raízes em movimento.” Terry Costa, Diretor Artístico da Mirateca Arts.

“A comunidade conhecer a sua história e andar junto com ela.” João Mário Istrisoski, Chefe de Núcleo CIC.

“A história revisitada.” LM Stein, Produtor.

“A identidade que faz o cidadão se pertencer.” Aorélio Domingues, mestre fandangueiro.

“Valorizar as nossas raízes.” Humberto Gomes, diretor teatral.

“Reconhecimento e valorização da história.” George Sada, diretor teatral.

“Manter viva a cultura que foi esculpida pelos nossos antepassados.” Guido Poffo, contador.

“A alma de um povo.” Geraldo Pioli, cineasta.

“Aquilo que é passado de geração em geração.” Claudia Arioli, Cinemateca de Curitiba.

“Essência.” Iria Braga, cantora e apresentadora do É Cultura.

“Alma Lusa!” – Grupo Folclórico Alma Lusa.

“A alegria de saber de onde você veio e a quem você pertence.” Guilherme Romanelli, músico

“Emoção na estrada.” Nelson Oliveira, motorista.

“Aquilo que está na nossa raiz, no nosso imaginário e que é maturado através dos tempos.” Renata Rosa, música.

“Tudo aquilo que sempre existiu mesmo para quem nunca viveu.” Adriana Melges, produtora.

“Aquilo que mantém viva a alma de um povo.” Fernando Degui, músico.

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