É preciso fazer, quando não há pronto

Incrível…

Nossas Folias do Norte do Paraná chegaram à final do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, o mais importante prêmio de Patrimônio Cultural do Brasil!

Passaram anos desde aquele 2007, em que eu fui a Campo Largo, prestigiar um evento que organizou a ótima Rejane Nóbrega. Foi lá que eu conheci Seu Ângelo dos Santos, voz perfeita, da Companhia Unidos com fé, de Maringá. Deixei com ele naquele dia meus livros e a promessa de fazer uma visita.

Um ano depois, lá estava eu no aeroporto de Maringá, esperando seu Ângelo, que veio me buscar, com o carro do Rosevelt e me albergou na casa da sua querida irmã. Lá fiquei uns dias, seguindo a companhia. Quase morri de calor, dias inteiros, de casa em casa acompanhando a bandeira.

Seu Gabriel e dona Maria, me hospedaram outras tantas vezes lá em Maringá. Foi dona Maria que me disse uma das coisas mais ótimas que eu já ouvi. No meio da pré produção do projeto, já em 2011, ainda cheia de incertezas, tanto por fazer, sentada no seu quintal, mapas a postos, computador aberto, papelada ocupando todo o banco, andava eu tumultuando o serviço de dona Maria que afligia me ver aflita. Num suspiro perguntei toda filosófica: “Ai dona Maria… que é que eu faço?” Ela respondeu numa classe de quem criou muitos filhos e levou a folia adiante ao lado do Embaixador: “Oh minha filha… compra feito…”

Pronto, acabou minha aflição. Só deu pra dar risada da tranqüilidade de quem já sabe o quanto custa fazer.

Mas no fundo, nós duas já sabíamos que não ia dar. Não neste caso. Não tinha como comprar feito.

E lá fui eu, pelo grande Norte, estrada à dentro da terra vermelha do centro do mundo das folias de Reis que vão atrás da Bandeira! Misteriosa bandeira…

Eita projeto encantado…

Foi em 2010 que Joaquim Soriano e Guilherme Abrahão, do NEAD, olharam com confiança para minha animação e resolveram abraçar a minha conversa. E verdade seja dita, que antes deles, acreditou em minha conversa um amigo do campo e do projeto Tocadores, o Deputado Dr. Rosinha.

E mais gente acreditou naquela idéia que parecia complicada.

Foi a minha equipe de campo, corredeira – que por vezes eu acho que não me põe pra fora da van por milagre de Santos Reis – que abraçou a agenda mais maluca que eu já fiz e peitou correr o mundo atrás das bandeiras encantadas, acreditando muito.

Sem LM Stein, meus dois braços e sem Marinardes Marchi, meus quatro braços, a produção teria afundado. Sem Gilson Camargo, nem todas as minhas palavras poderiam dar gosto, cheiro, cor para aquelas histórias. Sem Toni Gorbi, não haveria luz no meu caminho! Sem Marcelo Oliveira, não haveria milagre de verter água e continuar rodando. Sem Vinicius Casimiro, não haveria a música feita em áudio. Sem Claudinei Macedo não haveria luz no set. Sem Sr. Nelson Oliveira – e a histórica van vermelha, não chegaríamos a nenhum lado.

Depois deles, outra tropa não me expulsa por milagre do Divino. O pessoal da pós quer me jogar na van pra ver se eu vazo da edição e paro de pedir mais uma coisinha só. Obrigada Adalberto Camargo, Silvia Hayashi, Luiz Adelmo, Paulo Oliveira, Patrícia Teixeira, Caibar Jr. Eu prometo tentar melhorar… hehehe

E ainda tantos que entram nesta equipe estendida e que com seus serviços nos ajudam a chegar ao resultado final… Obrigada a tantos…

Importante dizer que sem as instituições parceiras e incentivadoras, não haveria como ter um resultado concreto em forma de produtos. Obrigada: IICA, NEAD, MDA, Caixa, Prefeitura de Curitiba, Prefeitura de Londrina. Algumas instituições não seriam o que são sem as pessoas que as constroem. Obrigada Vanda Moraes, Regina Reis, Magali Kleber, Equipe da Caixa Cultural Curitiba, Equipe do NEAD.

E claro, sem eles, os fundamentais, os donos da história, os poderosos foliões não haveria história para gente acreditar.

Centenas deles registrados aqui neste projeto, que eu homenageio por meio de seus embaixadores. Sem Garbosi, da Mensageiros da Paz,  não haveria quase metade dos contatos. Ele foi comigo em muitas visitas. Ele acreditou muito que poderíamos levar mais longe as folias do Norte. Sem Pracinha, do Grupo Menino Deus, não teríamos a singeleza e a elegância discreta do saber fazer. Sem Pedro, do Grupo da Galileia, nos faltaria a paz. Sem Loro, da Bom Pastor, eu não teria entendido a dureza que pode ser manter a companhia e como tanto potencial ainda pode ter tão pouco apoio com tantos desafios a vencer. Sem Manoel, da Estrela do Oriente, faltaria o milagre, que, aliás, salvou a câmera. Sem Laurindo, da N. S. Esperança, faltaria realidade. Sem Paulo, da Adoração do Menino Deus, faltaria perseverança generosa. Sem Gabriel, da Unidos com fé, faltaria o riso. Sem Ademir e a Bandeira Esperança, nos faltaria o sonho, que é mágico e tem poder.

Sem qualquer um deles, não teríamos conseguido.

Com todos eles, fizemos. Graças a todos eles, as folias do Norte do Paraná chegaram tão longe neste mundo digital. E com certeza, nós, que lá estivemos, chegamos tão fundo no valor e no sentido de ter que fazer quando não é possível comprar pronto.

Obrigada a todos que fizeram este caminho. Centenas de participantes sem os nomes aqui, mas com os rostos guardados na memória e no documento.

 

E pra quem não sabe: Folias do Norte do Paraná é um projeto de pesquisa que resultou em livro, documentário e um portal online que registrou 9 companhias de Reis em 5 cidades e disponibiliza online mais de 120 filmes, 400 fotos, mapas, textos, contatos dos grupos… Visite: http://foliasnorteparana.com.br/

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