Com tempo

Em pleno Ciclo Junino, atravessamos o Brasil com a nossa própria quadrilha!

De Nova Olinda a Curitiba, da Ilha dos Valadares a Brasília, as danças do Alentejo, promoveram um arraial inusitado.

Ao lado de Domingos Morais e Teresa Rebelo, pude rever meu país no olhar do outro e emprestar o meu olhar para quem vê um “novo” conhecido.

Passou tão rápido e foi tão intenso. Sentimos o tempo de outra maneira nesse junho, nosso tempo foi outro…

Começando pelo princípio: a convite do nosso amigo André Magalhães, figura da casa, fomos conhecer outra casa que também é dele. Chegamos em Nova Olinda para a Cariri Mostra Músical Ibero Americana e mal sabíamos que íamos sair de lá outras pessoas.

Na sede da mostra, a Fundação Casa Grande, encontramos uma casa do coração. Um trabalho que há 20 anos dá voz e vez para as crianças da comunidade, abre espaço para a descoberta de novos conhecimentos e aposta no potencial de cada menino e menina, além de dar a oportunidade dos adultos enxergarem as riquezas da infância.

Lá na Casa Grande, fizemos novos amigos, repensamos o que cada um pode fazer com um gesto simples e nos propusemos a somar forças, a sermos mais coletivos. Esperamos em breve, ver alguns destes amigos aqui pros lados de Curitiba.

E por falar em Curitiba, outras pontes nos permitiram fazer em nossa casa – a Olaria Projetos de Arte e Educação, uma linda oficina de danças portuguesas, que reuniu amigos da música, da dança, da educação infantil, da pesquisa para experimentar no corpo e na voz, um pouco de Portugal e do Alentejo.

Atravessamos outra ponte, desta vez para chegar a Ilha dos Valadares, em Paranaguá, na casa dos amigos da Associação Mandicuera.

Uma experiência de fé na Festa do Divino. Ver Domingos Morais, meu professor e mestre de tantos anos, contar das festas do Espírito Santo em Portugal e falar sobre as relações dos instrumentos e práticas nos dois países ali com os foliões; ver todos nós, sentados na nova sede da Mandicuera, onde há tempos caiu o barracão de cana e não havia nada, ver as conquistas da comunidade fandangueira ao longo destes anos todos, foi mesmo motivo de festa e de acreditar na força do coletivo. Um dia que emocionou a todos e que nos fez rever o que é realmente importante. Há muito que comemorar na turma do fandango!

De Valadares para Brasília, fechamos o baile com uma programação intensa, da oficina de danças na Casa da América Latina (uma casa também feita com carinho e com cuidado), ao lançamento do Caderno de Danças na Embaixada de Portugal, passando pelo nosso encontro com os Batucadeiros – grupo de meninos e meninas que fazem percussão corporal no Instituto Batucar (grandes amigos!), adoramos trazer as danças do nosso Alentejo ao Brasil.

Em 20 dias, 09 eventos e milhões de alegrias!

Hoje, no fim desta longa viagem, revejo os encontros e agradeço a oportunidade de conhecer tanta gente boa. Para colocar esta quadrilha na estrada foi preciso contar com muito apoio, com muita amizade. Gente que já conhecemos há anos e gente que agora entra pra ficar no time por muito tempo.

E nessa loucura de correria, agradeço pelo tempo que tivemos, pelos encontros que marcaram tanto. Sinto que são encontros definitivos, que muito se fará a partir deste pequeno gigante, este tempo chamado junho de 2011.

E aproveito para encerrar com a frase de Auguste Rodin: O que se faz com tempo, o tempo respeita.

Oficina de dança na Olaria, em Curitiba.
Na Associação Mandicuera, com os fandangueiros do litoral do Paraná.
Com os foliões do Espírito Santo - oficina para a comunidade traz Portugal à festa!
No Instituto Batucar: Domingos Morais ensina uns truques para os meninos e meninas.
Felizes da vida, no meio da criançada.
Domingos, Mestra Luceli, José Jorge e Teresa. Apresentação do livro Artes de Cura e Espanta Males e do trabalho de Farmacologia Popular do Cerrado. Em Brasília, na UnB.
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