Música tradicional do Brasil invade o Museu da Música Portuguesa

Música tradicional do Brasil invade o Museu da Música Portuguesa

No próximo dia 16 de outubro, sábado, vou ministrar uma oficina no Museu da Música Portuguesa intitulada (re)Descoberta do Brasil pela música tradicional.

Será uma boa oportunidade para quem está por Lisboa e arredores “visitar” a terra, a música, as histórias brasileiras e conhecer um pouco mais sobre as festas e tradições do país.

Mais informações em:

http://mmp.cm-cascais.pt/museumusica/mmp/?channel=news&detail=44

Inscrições: mmp@cm-cascais.pt ou pelos telefones: 21-4815904 / 21-4815941

Apareçam, será uma tarde muito agradável!

Serviço:

Data: Sábado, 16 de outubro

Horário: 14:30 às 18:30

Local: Museu da Música Portuguesa

Inscrição: 25,00€ (O inscrito receberá o livro Tocadores Portugal – Brasil)

Informações: mmp@cm-cascais.pt

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Para os que imigraram e para os que têm saudade

 

Para os que imigraram e para os que têm saudade

Para os que mandam notícias

Para os que abraçam

Para os que fazem livros e para os que fazem música

Para os que vem, os que vão e os que voltam

Para os que têm “corações fora do peito”

Um grito do poeta Torquato nas mãos do poeta Jards.

http://www.youtube.com/watch?v=WIQ7JBKSsu8

“Quem não se arrisca não pode berrar.”

Torquato Neto

Inclusão digital

Inclusão digital

Em um mundo de blogs e facebooks, myspaces, delicious e flickers, a aldeia global se comunica.

Neste fim de semana saí novamente dos domínios do virtual.

Desta vez não foi a Serra, mas sim a Planície. Em Castro Verde andei as voltas com gravações para o projeto Arquivo das danças do Alentejo e rumo aos bailes cantados lá fui eu encontrar as Papoilas do Corvo.

As Paps (como eu carinhosamente as chamo) são um grupo de senhoras de uma pequenina aldeia do sertão Alentejano. No Corvo – a aldeia – moram cerca de 70 pessoas. Quatro são crianças. Elas – as Paps – são muito à frente… Modernas que só. Há quem pague uma fortuna nas lojas de grife pra montar um visual Papoilas, com suas batas de flores super coloridas. Elas têm um senso de estética genial. E umas vozes… ai, ai…

As nossas meninas esperavam nossa equipe em seu banco da conversa. Lá ficamos mais um bocado à espera das que vinham do trabalho.

No banco passam-se as tardes. Sabe-se dos casamentos, batizados, falecimentos, atualização total do andamento da telenovela. No banco também se dá muita risada e claro, há aqueles longos momentos de silêncio até que alguém se lembre de emendar outro assunto.

O fato é que morar no Corvo (Baixo Alentejo, Portugal) é como morar no Abacateiro (litoral do Paraná, Brasil) ou no Urucuia (interior de Minas Gerais). Acontece muita coisa por lá, mas pouca gente fica sabendo. Estas localidades estão relativamente próximas de cidades maiores, nas quais a tecnologia já chegou. Chegou para ficar.

Com o projeto das danças tenho publicado no nosso blog trechos de entrevistas, fotos, histórias que me contam. Nas aldeias Alentejo a fora tenho levado meu notebook e minha internet móvel para mostrar o que estamos fazendo, para contar que queremos que estas culturas cheguem a gente de longe, do Corvo ao Urucuia, até não parar mais.

As reações das pessoas, ao entrarem no blog e verem seus filmes, ao saberem que outras pessoas vão conhecer a sua arte chega a dar água nos olhos. Quando eu falo, fica difícil de entender, mas quando eu mostro, a tradição ganha mais alegria, e vê-se o orgulho de cada um ao sentir que a cultura está nas suas mãos.

Penso quanto seria importante que as Papoilas, que o Leonildo (mestre de fandango do Paraná) e que tantos outros tivessem acesso a esta comunicação inter-tribos. Que pudessem “googar” seus próprios nomes e músicas e ver o que há sobre eles e sobre os outros neste país sem fronteiras chamado internet.

Cada vez mais me deparo com o problema das comunidades populares conseguirem vez e voz na rede. Pra já, minha contribuição é restrita. Posso lhes mostrar o blog e deixo escrito nosso endereço (que afinal há sempre um neto que depois “percebe tudo disso e chega lá”).

Será que algum dia vamos de fato ser uma rede? Ou será que a rede vai tirar estes peixes do oceano?

Afinal, dizem: Quem não se comunica, se estrumbica… Que o digam os Índios online que tem seu maxi portal e o site da Associação Mandicuera, já com os vídeos caiçaras no YouTube, entre outras experiências bem sucedidas para colocar em novos formatos, velhas (mas muito contemporâneas) linguagens.

Vejo as Paps muito pouco, mas penso muito nelas (Meninas: se os vossos netos afinal entrarem aqui neste blog, lembrem-se: Não esqueço vocês!). Ainda não tenho amigos no Facebook. Mas quem sabe… Nunca se sabe. Um dia a rede dos Índios online me adiciona!

Termino com o link pro filme “Caiçaras episódio 4 – Merda da Lua”, dos amigos da Mandicuera, lá do fandango do Paraná!

http://www.youtube.com/watch?v=cbr72VhFa1A&feature=player_embedded

e duas fotos das Paps lá no Corvo, vendo o blog das danças.

Papoilas e equipe danças do Alentejo. Aldeia do Corvo, Setembro de 2010.

 

Papoilas do Corvo vendo o blog das danças do Alentejo na aldeia global.

Tempo, tempo, tempo, tempo…

Tempo, tempo, tempo, tempo…

Este fim de semana, rumo aos mouros, encontrei a Serra.

Vindos de Alte, da pequenina localidade da Torre, Sofia e Francisco, com seus mais de oitenta anos, foram ao nosso encontro no Festival Arraias do Mundo, em Tavira, no Algarve.

E a viagem, para mim, foi para 2005, tempo em que eu andava pela serra algarvia com o amigo Daniel Vieira e lá fui dar com eles: Maria, Francisco e Sofia – Os Velhos da Torre. Na altura nos encontramos na colheita da Alfarroba, quando eles, já velhos, trabalhavam todo o dia na dura lida do campo. No livro, Tocadores Portugal – Brasil, lá está Sofia colhendo alfarroba nas fotos do capítulo Terra.

Relembrei a foto que eu nunca tirei na câmera e nunca tirei da cabeça: Daniel Vieira e Maria, braços dados, atravessando o tempo no caminho de casa até o campo. Vi-os caminhar neste dia perdido por um largo tempo. Para mim, uma imagem atemporal, que guarda muito do mundo rural.

Ontem, cantamos, abracei-os e revi neles a passagem do tempo sobre todos nós. Revi no nosso encontro “um outro nível de vínculo”.

Que o tempo atenda nossos pedidos e que sim, seja sempre “possível reunirmo-nos”, em busca do “prazer legítimo e do movimento contínuo”.

Obrigada a todos que deram do seu valioso tempo para conosco desfrutarem da oficina de dança dos Velhos da Torre e da apresentação do Arquivo das danças do Alentejo em Tavira, nos Arraias do mundo. 

Oficina de Dança dos Velhos da Torre, Tavira, Festival Arraias do Mundo, 2010.
Francisco, Sofia e Lia na apresentação do Arquivo das Danças do Alentejo nos Arraias do Mundo, 2010.

Pra quem quiser agradecer ao tempo que nos é dado, vai o poema-canção.

http://www.youtube.com/watch?v=O2P1khIyTX8&feature=related

 

Oração ao tempo

Caetano Veloso

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo…

Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo…

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo…

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo…

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo…

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo…

O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo…

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo…

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo…

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo…